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Controvérsias sobre a ciência. Por uma sociologia transversalista da atividade científica,
de Terry Shinn & Pascal Ragouet.
Editora 34/Associação Filosófica Scientiæ Studia, 2008.

208pp.
Formato 125x205mm
ISBN: 9788561260019
Preço: R$ 40,00


Este livro apresenta o pano de fundo das intensas e ásperas controvérsias sociológicas atuais acerca da definição da ciência, de sua organização e dos vínculos que a unem à sociedade global; controvérsias cujas raízes se estendem até a década de 1970 na cisão entre as duas culturas, e que continuam com os desdobramentos dos anos 1990 na chamada “guerra das ciências”. O pano de fundo está constituído por duas grandes correntes sociológicas que se confrontaram no curso do século xx. A primeira, elaborada na década de 1950, considera a ciência como autônoma, fundada sobre um modo de conhecimento diferente dos outros: ela explica sua organização interna, a formação de suas normas e de seus critérios de excelência, mas recusa-se a analisar o conteúdo da ciência. A segunda, que apareceu ao final dos anos 1970, toma como objeto o próprio ato de produção científica, desvela a ciência no processo de ser feita, negando-lhe toda especificidade: a ciência não se diferencia das outras atividades socialmente constituídas. Os autores propõem uma terceira perspectiva, chamada transversalista, que vê na proliferação das especialidades a produção de autonomias relativas, que os praticantes atravessam para colaborar e competir na produção da ciência e da tecnologia: fronteiras, arenas intersticiais e circulação são as marcas desse regime de produção e difusão de conhecimento.

 

Terry Shinn é diretor de pesquisa no Centre National de la Recherche Scientifique (cnrs), sediado na Maison des Sciences de l’Homme em Paris, leciona em nível de doutorado na Sorbonne e na École des Hautes Études em Sciences Sociales. Dentre seus temas de análise estão: estudos sociológicos sobre a pesquisa tecnológica, história e sociologia da educação científica e técnica, o crescimento da pesquisa industrial, as interações entre indústria e universidade nos séculos xix e xx, e as origens e a evolução da nanociência e da nanotecnologia. Suas publicações incluem: Instrumentation between science, state and industry, com B. Joerges (Ed.), 2001; Pragmatic construction of reality, com J. Kueppers e J. Lehnard (Ed.), 2006; e Research-technology and cultural change, 2008.

 

Pascal Ragouet graduou-se no Institut d’Études Politiques de Bordeaux e doutorou-se em sociologia pela Universidade de Paris IV – Sorbonne. Atualmente é professor no departamento de sociologia da Universidade de Bordeaux 2. Os trabalhos que ele conduz junto ao Laboratório de Análise de Problemas Sociais e da Ação Coletiva (lapsac) inscrevem-se no domínio da sociologia da ciência e da inovação técnica e tratam mais particularmente da questão das controvérsias científicas.